Como forma de se tirar mais e melhor proveito do planeta, o homem na ganância de produzir mais e mais sentiu-se obrigado a utilizar cada vez mais fontes energéticas, como o petróleo, o carvão mineral, e biocombustíveis sem se preocupar com os efeitos nefastos que daí advém. E como consequência, hoje temos alguma instabilidade climática ao nível do planeta, de entre os quais o aquecimento global que se tem mantido intenso e em quantidades crescentes, perigando a continuidade de vida na terra.

Sendo uma questão candente e atual nesta primeira Reunião Ordinária dos novos Conselheiros Superiores da Cruz Vermelha de Cabo Verde, depois de aprovarem por unanimidade os instrumentos de gestão para o ano que agora iniciou, o programa de mandato 2022/2026 analisaram e a nova orgânica, sancionaram também de forma harmonizada o projeto “Clima”, financiada pelos Fundos do Escritório de Relações Exteriores, da Commonwealth e do Desenvolvimento do Reino Unido, no valor de CHF 76.313,00, equivalente a 8.227.075$59, (oito milhões, duzentos e vinte e sete mil, setenta e cinco escudos cabo-verdianos) que deverá ser executado em seis meses.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde que tem preocupado e muito com os impactos das alterações climáticas e que tem como uma das sua atribuições prioritária ajudar a sua contenção de forma a reduzir os efeitos nefastos que ela vem provocando a nível global, foi uma das instituições escolhida para ser parceira na condução deste projeto, em Cabo Verde, conjuntamente com mais cinco países.
Este projeto que vai estar sob a coordenação do Diretor do Departamento de Catástrofe, Logística, Segurança Alimentar e Nutricional (DCLSAN), Sr. José Simedo, coadjuvado pelo Sr. Eduardo Ramos e auxiliados pelos Presidentes dos Conselhos Locais, Associações Comunitárias, Câmara Municipais e demais parceiros tem como propósito incutir nas populações a necessidade de mudança de comportamento relativas a determinadas posturas com o ambiente, reforçar as suas capacidades de resiliência e habilitá-las a enfrentar as mais diversas ocorrências extremas, tanto a nível económico, como as derivadas de inundações, furacões e alterações térmicas extremas que perigam vidas humanas. Em Cabo Verde, a tarefa é também reduzir o impacto das transformações climáticas nas famílias mais vulneráveis.
Não obstante a Cruz Vermelha de Cabo Verde ter consciência que todos os municípios merecem ser beneficiados, mas por ser um projeto piloto com algumas limitações financeiras, nesta fase, foram selecionado os de São Domingos e São Lourenço dos Órgãos na ilha de Santiago e o do Maio, por serem edilidades fortemente afetadas pela erosão que devido a elevada taxa de desemprego muitas famílias em alternativa socorrem da extração de inertes para o sustento do agregado familiar, sem pensar nos efeitos a posteriori quer para a saúde, como para o ambiente originada pela fragilidade dos ecossistemas em que essa atividade é exercida.
Essa prática tem originado impactos fortemente negativos sobre a paisagem litoral e rural, aumentando o diâmetro das cavidades/crateras extrativas, permitindo intrusões de salinas com impacto extremamente pernicioso para os solos e leitos das ribeiras.
Para ajudar essas famílias e evitar que continuem com essas atividades corroborando para deleção do ambiente, entendeu-se, alocar este projeto a essas localidades e trabalhar com seus moradores na perspetiva de solucionar esse problema que é gritante em Cabo Verde.
Os beneficiários diretos deste projeto são indivíduos em situação de extrema pobreza e famílias agrícolas com maior incidência nas mulheres chefes de família e os indiretos, são os voluntários e colaboradores da Cruz Vermelha de Cabo Verde, estudantes universitários, entre outros, que serão capacitados e formados para poderem massificar a problemática do ambiente a todos os vales e cutelos deste país.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde está convicta que o trabalho a realizar junto das comunidades contempladas irá minimizar o impacto das alterações climáticas e mudar o comportamento dos extratores de inertes e respetivas famílias. “Estamos cientes, que a implementação deste projeto, por si só, não vai resolver o problema se concomitantemente não tomarmos medidas, como uma fiscalização reforçada e coerciva, em relação a extração de inertes no leito das ribeiras e no mar, oferecendo como alternativa outras atividades que possam garantir-lhes o sustento da família, nomeadamente trabalhos agrícolas, florestais, pesqueiros, etc” exemplificou José Simedo.
“Ainda em termos de sensibilização e informação vamos utilizar a rádio nacional e comunitária, as televisões públicas e privadas, nas reuniões de associações de bairros e também através de organizações não governamentais (ONG’s), explicando as vantagens e benefícios desta mudança de comportamento na valorização da saúde da comunidade, da paisagem, como também dos perigos associados às «feridas» deferidas na paisagem” assegurou Eduardo Filomeno Ramos um dos responsáveis pela execução do projeto.