
Ouvir as comunidades, compreender as suas necessidades e utilizar informações fiáveis para orientar a assistência humanitária foram os principais temas do quinto dia de formação da Equipa Nacional de Resposta a Desastres (NDRT) da Cruz Vermelha de Cabo Verde. As sessões centraram-se no envolvimento comunitário, na prestação de contas às populações afetadas e na gestão da informação em situações de emergência.
As formadoras Angela Vaz e Thiaba conduziram as sessões sobre envolvimento comunitário e prestação de contas, destacando a importância de manter uma comunicação clara e transparente com as comunidades, promover a sua participação nas decisões e criar mecanismos acessíveis para receber perguntas, sugestões e reclamações.
Os participantes trabalharam formas de compreender melhor o contexto das comunidades, tendo em conta as suas necessidades, capacidades, relações sociais, formas de comunicação e perceções sobre as organizações humanitárias. Foram também abordados métodos de recolha de informação, como entrevistas, inquéritos, observação e conversas em grupo, com destaque para o respeito pela privacidade, o consentimento e a proteção dos dados pessoais.
A comunicação com as populações foi outro dos pontos centrais, incluindo a partilha de informações sobre os objetivos das operações, os critérios de seleção dos beneficiários, os processos de distribuição de assistência, os prazos e eventuais dificuldades. A abordagem destacou que envolver as comunidades permite compreender melhor as suas prioridades e adaptar as ações humanitárias às necessidades identificadas.
Na sessão orientada pelo formador Napoleon, os participantes aprofundaram os procedimentos de recolha e tratamento do feedback comunitário. Foram analisados diferentes tipos de comentários, desde perguntas e sugestões até opiniões, reclamações e elogios, bem como a importância de identificar situações urgentes ou sensíveis e encaminhá-las de forma segura e confidencial.
A sessão destacou também a importância de dar seguimento às questões apresentadas pelas comunidades e de comunicar as medidas tomadas. Este processo permite transformar as preocupações e sugestões das pessoas em informações úteis para melhorar a assistência e promover a confiança entre as comunidades e as equipas humanitárias.
Por sua vez, o formador Moutarou abordou a gestão da informação nas operações de emergência, com enfoque na recolha, organização, análise, proteção e partilha de dados para apoiar a tomada de decisões. Os participantes trabalharam a diferença entre dados, informação e conhecimento, a importância de verificar a qualidade dos registos e a necessidade de utilizar informações relevantes sem comprometer a privacidade das pessoas afetadas.
O dia terminou com uma sessão de síntese, orientada pelo formador Júlio, dedicada à preparação da aplicação dos conhecimentos sobre envolvimento comunitário e gestão da informação num exercício de simulação.
A formação decorre até 30 de outubro, no Conselho Local da Praia, com o apoio técnico da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. O programa visa preparar os participantes para uma atuação segura e coordenada, promovendo uma resposta humanitária que tenha em conta as necessidades, as capacidades e a participação das comunidades afetadas por emergências e desastres.